segunda-feira, 27 de abril de 2020

RESUMO DO PREFÁCIO DO LIVRO MEDO E OUSADIA


 O SONHO DO PROFESSOR SOBRE A EDUCAÇÃO LIBERTADORA.

“É impossível ensinar sem ousar!” Paulo Freire.
O livro Medo e Ousadia – o cotidiano do professor (Freire e Shor, 1987) é um texto dialogado, proposto pelos educadores Paulo Freire e Ira Shor.   Shor , no prefácio  sob o título – O SONHO DO PROFESSOR SOBRE A EDUCAÇÃO LIBERTADORA  -  expõe uma série de  questões suscitadas por professores em torno do tema pedagogia  da libertação e que serão desenvolvidas ao longo do livro. Ainda no prefácio Shor e Freire traçam algumas introduções sobre o que e como será discutido. Freire no início do diálogo fala que a importância da relação dialógica está na potência do intercâmbio de ideias que essa relação nos permite, “enquanto falamos somos o leitor um do outro, leitores de nossas próprias falas... somos estimulados a pensar e a repensar o pensamento do outro”. A experiência do diálogo nos permite sermos provocativos, chamar o outro pra conversa, proporcionar incertezas, sermos rigorosos. Freire nos chama atenção pra interpretação ingênua do que seja RIGOR e nos fornece uma definição, o autor também fala sobre motivação e que esta se dá no próprio ato pedagógico e não fora dele. “Isto é, você se motiva à medida que está atuando e não antes de atuar” (Paulo Freire).
A esse respeito, Ira, fala que devermos ouvir os alunos, pesquisar sobre seus assuntos e níveis de conhecimento, descobrir o perfil da motivação, ser um professor-pesquisador, propondo exercícios que possibilitem aprender com os estudantes sobre suas condições de vida, seus níveis cognitivos e afetivos, sua linguagem e trazer esses elementos para a aula como fundamentos para o diálogo e o questionamento. Esse ensino-pesquisa educa o professor a projetar um currículo intrinsecamente motivador, que convida os estudantes a serem curiosos e críticos e diminui a distância profissional entre professor e alunos, elementos fundamentais para a construção de uma educação libertadora.


Pandemia: Relações e certezas reduzidas a pó.


REFLEXÃO DO DIA
21/04/20

A pandemia tem reduzido nossas relações e nossas certezas a pó.
 Estamos no trigésimo oitavo dia de isolamento social.
Aquele amigo ou parente que você não passava um dia sem ver, passou a te visitar semanalmente, quinzenalmente e hoje você não o vê mais;
As reuniões por Skype, com amigos íntimos ou do trabalho ficaram mais escassas e raras, eram semanais, quinzenais e agora pouco nos falamos, quando não, só pra dizer: “sinto muito”, “força”, “vai passar logo”.
Mas o logo não chega, o tempo passa e com ele nossas certezas;

Certeza de ter o pão nosso de cada dia;

Certeza de ver novamente o seu avô de 65 anos;

Certeza de encontrar a família no dia das mães;

Certeza de que tudo vai passar...

Vai passar...

O que vai passar? Vai passar a ajuda dada aos bancos de 1 trilhão de reais, vai passa a MP 936 que reduz salário e não garante emprego, vai passar o auxílio ao trabalhador no valor de R$ 600,00. Vai passar, mas quando vai chegar?
Não chega.
E os 100,00 da cesta no cartão?
 Não chega.
 Mas não se preocupe, porque o povo continua...
100 pão
100 saúde
100 refeição
100 dignidade para felicidade da autoridade que governa essa nação.

domingo, 5 de abril de 2020

EAD "gambiarra "? Diga, NÃO!

        Bem, as secretarias de educação municipal e estadual estão disponibilizando plataformas com materiais e conteúdos para que nossos alunos possam fazer as atividades em casa e o governo do estado fez uma live ontem falando da implementação da EAD .
      Sobre esse tema colocarei aqui algumas questões para pensarmos.
Nossos alunos possuem as ferramentas necessárias para o acesso a esses materiais? (Internet, computador, celular e impressora) 
     Sabemos que muitos não tem sequer um lugar adequado pra fazer essas atividades em casa.
        Em segundo lugar sabemos que devido ao agravamento da crise econômica pela COVID 19, a retirada de direitos dos trabalhadores, e  o grande número de trabalhadores informais ,muitos pais ainda estão trabalhando. Temos alunos sozinhos em casa ou sob tutela de tios, avós e vizinhos.           
      Como essas crianças farão essas atividades sozinhas? Em período normal de aula, temos uma média de 60% de atividades de casa que vão e voltam sem serem feitas, pq os pais não possuem condições de ajudar essas crianças nas tarefas. E as razoes para isso são as mais variadas desde o desconhecimento do conteúdo à falta de tempo pelas duplas ou triplas jornadas de trabalho.
      Somos nós, professores que sabemos das dificuldades diárias enfrentadas por nossos alunos no processo de ensino-aprendizagem e daí reside a importância do ensino presencial para a população mais carente. O lançar de conteúdos e atividades em uma plataforma não garantirá a equidade tão necessária ao processo de ensino aprendizagem pelo contrário, deixará
milhares de alunos à margem do processo.
portanto a inviabilidade da proposta está na falta de condições objetivas, como internet rápida e um computador com uma capacidade alta de armazenamento de dados. E na ausência de condições subjetivas. Estamos no meio de uma crise viral de proporções mundiais.
Enfrentando uma serie de contradições e desentendimentos entre os governos federal, municipal e estadual. Nesse momento, precisamos ter preocupação com nossa saúde, nossa
sobrevivência e de nossos familiares, até todo esse processo passar.
        Quando finalizar esse processo, repensamos em conjunto o calendário escolar e a reposição das aulas de maneira que todos de maneira igual tenham garantido seu direito à educação.
        Durante a pandemia podemos fazer aos nossos alunos, para aqueles que temos contato, a indicação de leituras, filmes, jogos e sites.
        Esse é um chamado aos professores que não aceitem essa proposta que não irá garantir a reposição de conteúdos e tão pouco a educação de qualidade com a equidade e a unidade tão caras a esse processo.

Elaine Rusenhack
26/03/20

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Rio de Janeiro: praia, calor e caos.



No último domingo, dia 22/09, em algumas praias do Rio de Janeiro, banhistas sofreram com a onda de arrastões. Jovens das classes populares tocaram o terror nas praias fazendo roubos e provocando muita confusão. Após o domingo quente, as autoridades policiais se manifestaram nas mídias. O secretário de segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, em entrevista ao Jornal Hoje afirmou: “Nós estávamos fazendo um trabalho preventivo de parar e revistar jovens a caminho da praia. Nunca vi isso! Em qualquer país do mundo a polícia faz esse trabalho sem mais problemas, só aqui no Brasil é que é assim.”
 Beltrame só esqueceu de dizer que as incursões feitas pelos policiais aos ônibus no Rio de Janeiro não eram apenas de abordagem e revista. Eles retiravam os menores dos ônibus sob critérios que somente a polícia conhece, algemavam e os levavam para a delegacia, sem que os mesmos tivessem portando flagrantes ou cometido algum delito. No entanto, o que ele chama de uma ação preventiva fere a Constituição Federal, pois consta no art.5º inciso XV que Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e ainda garante a livre locomoção no território nacional, ou seja, é garantido por lei o direito de ir e vir. Assim, a ação dos policiais se caracteriza evidentemente como uma ação ilegal, salvo se estivéssemos em guerra. A fala do Secretário Beltrame se justificaria se esse fosse o caso (ou será que estamos?).
Caro leitor, não sou a favor da violência cometida pelos menores, tampouco sou a favor da impunidade. Sou tão cidadã desta cidade quanto você e sofro com o estado de violência e insegurança que nos encontramos. Mas legitimar uma ação ilegal, com a justificativa que a execução desta poderá, hipoteticamente, impedir que outra ação ilegal aconteça, é impedir um crime com outro. Então, por que não jogamos uma bomba nas favelas e explodimos logo todos esses que se encontram à margem da sociedade e que insistem em nos “incomodar” em nosso lindo domingo de sol? Vamos exterminar todos porque um dia, não tão distante, poderão jogar em nossa cara, além de areia, que essa sociedade de democrática e justa não tem nada.
A solução é simples?
Matamos o mal pela raiz? Encarceramos todos esses deliquentes, reduzimos a maioridade penal e construímos um grande muro separando a elite da classe popular? Fazemos isso ou nos perguntamos: quem são esses menores infratores? “Coincidentemente”, caro leitor, são em sua grande maioria negros, pobres e favelados, herança do nosso país colonial e escravocrata.
Será que os governantes não veem que a praia é um dos poucos pontos de lazer gratuitos no estado e impedir que a classe popular vá a praia só aumenta o vapor na “panela de pressão” que é o atual estado do Rio de Janeiro.  E se a (re)pressão aumenta, apenas legitimamos a segregação racial. Ops, não temos segregação racial no Brasil. Ou será que temos?
Ah, sei que você, já deve estar revoltadíssimo com todas essas linhas, afinal de contas, não é justo roubarem nosso smartphone, conquistado com o fruto do suor do nosso trabalho, não é mesmo? Dessa maneira, vamos aplaudir os rapazes brancos da zona sul que heroicamente quebraram os vidros dos ônibus e surraram os meninos negros favelados, arrancando-lhes a socos e pontapés dos coletivos.
Se a polícia e nós cidadãos continuarmos agindo por conta própria sem respeitar as leis máximas de nossa nação e da vida humana, se não refletirmos a respeito dos caminhos que temos tomado como sociedade, até o presente momento, e seguirmos ratificando as ações ilegais dos representantes do governo, e daqueles que fazem justiça com as próprias mãos, onde iremos chegar?  Como diz Robespierre, voltaremos ao estado de natureza e o caos se instalará entre nós.
A expressão “o homem que é lobo do homem” (Hobbes) traduz o estado das coisas que estamos vivendo ─ fazendo o que for necessário para proteger e garantir a nossa propriedade, tomando decisões individualistas, estamos nos desumanizando. De acordo com Freire, grande educador brasileiro, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.

Por Elaine Rusenhack (Pedagoga) e Rita Campos (professora de Português)



terça-feira, 19 de agosto de 2014

A saudade do que ainda não veio.

Narrativa do dia 08 de julho de 2014



Eu sou feito de sonhos interrompidos
 Detalhes despercebidos 
Amores mal resolvidos. 
Sou feito de Choros sem ter razão.
 Pessoas no coração
 Atos por impulsão. 
Sinto falta de Lugares que não conheci
 Experiências que não vivi 
Momentos que já esqueci.

Será possível ter saudade do que ainda não se viveu? Ultimamente, tenho acreditado que sim, pois estou com vocês, mas já sinto saudades de quando eu não estiver mais aqui.

Os ultimos dias têm sido difíceis para mim, pois está se aproximando o dia que terei de deixar meus queridos alunos com os quais tenho caminhado há três anos. Irei trilhar, agora, um novo caminho, com outros personagens, em uma nova escola, uma nova turma me espera.

Ontem, sexta-feira, pareceu-me pior. A sensação que vou deixá-los tornou-se mais pesada. Tenho tido pesadelos constantes. Em alguns estou sozinha em uma sala de aula enorme, em outros sonhos, meus alunos me chamam, eu estou lá, consigo ouvi-los, mas não os vejo. As vezes acho que sentirei mais falta deles do que eles de mim. Nunca pensei que fosse possível amar tantos ao mesmo tempo.

Não dá pra ser professora de vez em quando, apenas quando se está na escola, levamos nosso trabalho pra casa em pensamento, caso alguma criança esteja com dificuldades, tanto emocionais, quanto de aprendizagem, aquilo nos afeta e começamos a buscar uma solução. Por que nós professores lidamos com GENTE  e LUTAMOS para formar pessoas, CIDADÃOS CRÍTICOS E CONSCIENTES DE SEU PAPEL SOCIAL. A profissão de professor me faz ser uma pessoa realizada todos os dias,  porque possibilita que eu trate cotidianamente com seres humanos em formação que me cativam, me afetam, me instigam a pesquisar e a amar mais a cada dia. FREIRE, nos orienta em seu livro Pedagogia da Autonomia quanto a essa relação de amor, respeito, carinho entre professor e educando tão necessárias às relações educativas.
No prefácio de Pedagogia da Autonomia, Édina Castro de Oliveira, afirma que a obra trata de uma pedagogia fundada na ética, no respeito à diginidade a à própria autonomia do educando.

E um saber, como os demais, que demanda exercício permanente do educador. “É a convivência amorosa com seus alunos e na postura curiosa e aberta que assume e, ao mesmo tempo, provoca-os a se assumirem enquanto sujeitos sócio-histórico-culturais do ato de conhecer, é que ele pode falar do respeito à dignidade e autonomia do educando. [...] A competência técnica científica e o rigor de que o professor não deve abrir mão no desenvolvimento do seu trabalho, não são incompatíveis com a amorosidade necessária às relações educativas. Essa postura ajuda a construir o ambiente favorável à construção do conhecimento onde o medo do professor e o mito que se cria em torno de sua pessoa vão sendo desvelados” (OLIVEIRA, Pedagogia da Autonomia, pág 11)


A angustia que a mim consome, talvez tenha raízes em inúmeras razões. A primeira delas encontra-se no fato de considerá-los não apenas meus alunos, mas companheiros, parceiros, co-autores do planejamento e do desenvolvimento das aulas. A segunda, está nos laços afetivos que criamos. Somos amigos e cumplices no dia a dia da escola. E a terceira razão está pautada no medo  do por vir, do desconhecido. Quem ficará com meus alunos? Será que dará continuação ao trabalho que vem sendo feito nesses três anos de convívio? Caso não dê continuação, como será que meus alunos irão reagir a essa troca de concepções pedagógicas? Essas perguntas por hora sem respostas tornam minha partida mais difícil.

Durante a aula de pós-graduação, desta sexta-feira, a professora Regina Leite Garcia em parceira com o professor José Guilherme propuseram a turma que refletíssemos sobre a responsabilidade da educação. De quem é? 
Quando a questão nos foi feita, eu mentalmente respondi:
 -De todos. 
E como se lêsse meus pensamentos, Regina perguntou novamente:
 - De todos quem? Dos pais, dos professores, dos governantes?
Trazendo aquela pergunta para minha experiencia particular, lembrei-me novamente de meus alunos. De quem seria a responsabilidade de educá-los? De alfabetizá-los, não só nas letras, mas no mundo?

À medida que as colegas de turma se colocavam através de suas narrativas, fui pensando  na realidade cotidiana de minha escola, surpreendendo-me ao mesmo tempo em que me entristecia com a similaridade dos discursos.

Uma das falas, traz para a roda a discussão sobre a diversidade entre os alunos:
- São tão diferentes em seus conhecimentos, as idades tão distintas, estão todos na mesma sala. Como fazer para lidar com isso?
A pergunta feita pela colega é colocada para a reflexão do grupo. Então. penso no Igor, no Jefferson, no Gabriel, Paulo Ricardo e tantos outros alunos distintos e distantes em seus conhecimentos culturalmente construídos, mas tão próximos geograficamente uns dos outros.
Bem a resposta por mim encontrada para lidar com essa feliz pluralidade de conhecimentos, foi colocá-los em interação, propor trabalhos em grupo em que haja troca de saberes, possibilitar através de atividades que os conhecimentos do Igor, tantas vezes não reconhecidos pela escola sejam potencializados e que os saberes do Jefferson sejam compartilhados e que juntos possam solucionar problemas que antes não poderiam fazer sozinhos. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento proximal esse nível de desenvolvimento em que os estudantes podem resolver problemas com “apoio”(Lester 1994, p.4), ou seja, com a moderação do conhecimento e a interação social,  dessa forma os estudantes podem aprender coisas que não aprendiam sozinhos.
Como os pensamentos, assim são os  fios em uma máquina de tear, um puxa o outro e nesse vai e vem sem fim vão se entrelaçando e formam redes de saberes e conhecimentos. Assim, meus pensamentos se fizeram nesse dia, por isso quando pensei nos conhecimentos que devem ser compartilhados em sala de aula, logo lembrei que  a palavra COMPARTILHAR só ganha vida, essência na potência do encontro, da fala, da troca de ideias que possibilita sermos MAIS. Contudo tal coisa será impossível se cada aluno continuasse no seu "quadrado", enfileirado , entrincheirado atrás de carteiras que os imobilizam.

E, é nesse movimento de desconstrução de uma prática que imobiliza os corpos, cala os corações e anestesia as mentes que minha turma fala, conversa, senta, levanta, produz, vê foto, opina, vota, propõe, elege, faz assembleia, pesquisa, pinta e borda, e nesse quadro de aparente desordem, estamos permanentemente construindo nosso planejamento. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A utopia, um motivo para caminhar.


Pra que serve a utopia?
Se a utopia serve para alguma coisa,
Se é que a utopia tem que servir 
A utopia é como o horizonte 
Nós olhamos para o horizonte 
E caminhamos para ele,  
Caminhamos e caminhamos, 
Mas por mais que eu caminhe  
Eu nunca vou alcançar o horizonte 
É pra isso que a utopia serve 
Para nos fazer caminhar. 
(EDUARDO GALEANO) 


A turma na qual leciono é para mim, como a utopia para Galeano, ela me faz caminhar. Estou há três anos acompanhando a turma, é claro que nem todas as crianças são as mesmas, umas se foram para outros colégios, outras estão em outro horário na mesma escola, mas mesmo longe, continuamos mantendo contato, seja pelo facebook, seja através de cartinhas ou até mesmo em encontros na rua. 
Foram estas crianças que me ensinaram a ser a professora que sou hoje.Quando cheguei a escola recém concursada em um município que há 8 anos não fazia concurso me vi muito sozinha. o corpo docente e a administração da escola era em sua maioria de funcionários contratados.No primeiro segmento do Ensino Fundamental só havia eu de concursada. A minha entrada na escola representava o início do fim de uma gestão. Para se ter ideia de como eu era vista pelos demais, citarei a  frase dita regularmente pela prefeita anterior do município "o concursado é o câncer do sistema público" .E como tal, não fui bem recebida, as demais professoras não falavam comigo e o administrativo era arrogante.  A tão sonhada autonomia metodológica não existia, tampouco os recursos que eu tanto almejava. Não tinha Xerox, não tinha giz, não tinha sabonete nos banheiros para as crianças lavarem as mãos, não tinha nada.
Recém formada em uma universidade pública tive todos os meus sonhos frustrados, como trabalhar assim? Era o que me perguntava a todo instante?Em pouco tempo estava me parecendo com as professoras frustradas e infelizes na profissão que tanto eu criticara durante a faculdade. Em nada eu parecia com aquela professora cheia de entusiasmo dos tempos de faculdade. 
Mas, tudo mudou quando eu participei do Seminário interativo PIBID/UFF. Fui convidada pelas minhas orientadoras de monografia. Ambas fazem desde 2009 um trabalho maravilhoso em escolas públicas do município de Niterói e eu havia sido bolsista por três anos do projeto. Trabalhávamos alfabetização por projetos nas turmas de crianças com deficit série/idade. Uma das professora convidou-me para falar, dar um depoimento sobre a metodologia e eu utilizei todo o meu tempo para reclamar da escola e da dificuldade em se trabalhar por projetos na escola pública sem o apoio do Programa Institucional de bolsa de Iniciação à Docência. Minha orientadora me deu uma chamada e me disse que eu parecia uma professora velha e chata que só sabe reclamar. Foi então que eu acordei. Eu estava deixando que as pessoas e suas hostilidades me transformassem em uma pessoa que eu não era. Estava esquecendo o meu sonho de transformar a educação, de formar crianças críticas, curiosas e que veem a escola como um lugar privilegiado de interação e aprendizagem. Eu estava me tornando tudo o que eu criticava. A mudança veio através da fala da minha professora: " você está sozinha? Não tem com quem trocar? E aquelas 30 "pessoinhas" que estão em sala com você todos os dias?" A partir dessa fala eu passei a vê-los não como alunos, mas como companheiros em busca, não mais do meu sonho, mas dos nossos sonhos. Os materiais que eu tanto precisava passaram a serem substituídos por outros, reciclados, passamos a construir nossos jogos, fiz parcerias com pais e professores de outras escolas. Hoje, as coisas estão bastante mudadas, a escola está cheia de concursados, as mentalidades mudaram, a inércia e o apego a práticas antigas tem abandonado a gestão  e o corpo docente mais resistente a mudanças, claro, a passos lentos, mas estamos caminhando. Crianças de outras turmas e turnos me conhecem e pedem para estudar na minha turma. Não há nada melhor que o reconhecimento das crianças, elas sentem que são reconhecidas e respeitadas como legítimos outros, sujeitos da cultura,  que como diz FREIRE, tanto podem ensinar quando aprendem, quanto podem aprender quando ensinam, e nesta relação que tem por base o respeito mútuo, continuamos caminhando em busca de nosso horizonte.